O termo "elmo spangen" (ou spangenhelm na forma internacional) refere-se não a um tipo específico de elmo mas a uma classe de elmos cuja construção se dá por meio de segmentos de placas rebitados numa estrutura feita por tiras de metal. O método mais tradicional utiliza uma tira vertical que vai da frente até atrás da cabeça, passando pelo topo, outra tira vertical de orelha a orelha, e uma tira horizontal que dá a volta pela cabeça. Os espaços vazios são preenchidos por 4 chapas triangulares de lados curvados.
O elmo deste projeto é de um tipo normando do início do séc. XI que segue a construção tradicional, com a adição de uma proteção rígida para o nariz. É possível encontrar elmos parecidos desde o séc. V, VI, dos povos escandinavos, saxões, vikings, incluindo os francos, até o séc. XI e além. Possivelmente ele foi utilizado até o sec. XIII embora já ultrapassado a esta época.
As fotos deste projeto podem ser acessadas na seguinte galeria.
Durante a fabricação desta peça, os armoreiros em questão — Erick, Millor e Capitão — iniciaram uma discussão sobre a resistência do elmo contra golpes. Mesmo com ele inacabado, ainda preso por parafusos e sem a tira de metal na base, já era possível perceber que se tratava de algo muito sólido e firme. De fato, nas regiões onde as placas se sobrepõem podemos ter mais de 4mm de aço de baixo carbono, uma medida bastante expressiva.
Naquela hora, disponível no local, havia uma pequena besta de 50lb. e com confiança os armoreiros resolveram por à prova o ainda inacabado elmo. Estavam arriscando perder o projeto inteiro, mas aquela estrutura compacta parecia esnobar qualquer idéia de ferimento.
Para fazer o teste seria usada aquela besta de 50lb. a disparar virotes (flechas) contra o elmo a uma distância de cerca de 5 metros. Este estaria repousado sobre um toco de madeira. Era importante não deixá-lo fixo em nada para a situação ficar mais parecida com um caso real, onde o elmo estaria sendo usado por alguém que, num grande impacto, poderia ser lançado para trás. Avaliando o deslocamento do elmo seria possível inferir sobre o impacto no usuário.
Uma nota sobre a besta: Uma besta de 50lb. é de fato uma arma muito fraca quando comparada com as bestas medievais, que poderiam chegar a centenas de libras. Este teste portanto não tem nenhum valor sobre a resistência deste tipo de elmo contra setas medievais. Mas ainda assim, uma arma como a que nós usamos disparada a curta distância causaria um enorme estrago em alguém sem proteção. Para se ter uma idéia, ela perfura com facilidade os tocos de madeira.
O primeiro disparo foi um tiro de deflexão, ou seja, um tiro ligeiramente deslocado do centro para colidir de forma inclinada com o elmo. O formato esférico do elmo serve justamente para tentar defletir ao máximo os golpes, no lugar de absorver o impacto. No tiro teste, tudo ocorreu como esperado, a flecha foi desviada para longe e o elmo nem se mexeu, ficando apenas com um leve arranhão.
O segundo disparo foi um tiro direto, onde o elmo não teria como defletir a seta e receberia todo o impacto. No momento em que a flecha toca na chapa de aço ouve-se um ruído metálico alto e a mesma é arremessada para trás girando incessantemente, enquanto o elmo recua, quase caindo do toco onde estava apoiado. Um temor atingiu os armoreiros, com medo de que na placa lisa agora houvesse um buraco, mas logo perceberam que ele havia resistido bravamente. A flecha perdeu a ponta e ficou torta, totalmente inutilizada, e o elmo recebeu apena uma marca, não muito profunda, que só atingiu a placa mais externa. Com algumas marteladas ele já estava como novo. A partir daí, os armoreiros se empenharam com maior afinco para terminar esta belezinha que já era veterana de guerra.
As fotos deste teste podem ser acessadas na seguinte galeria.
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