Da esq. p/ dir., de cima para baixo: Sergio, Tarcísio, Romulo, Biffi, Roberto e Iraê.

Conheça a Guilda

Com a explosão demográfica e cultural da sociedade européia medieval nos séc. XI e XII, novas estruturas sociais e econômicas se fizeram necessárias e o mundo medieval sofreria transformações profundas ao adentrar à chamada baixa idade média. As guildas surgem neste contexto e se estabelecem como corporações de ofício, ou seja, uma espécie de coperativa ou sindicato de trabalhadores que compartilhavam do mesmo ofício e apresentava funções diversas com o objetivo de assegurar os direitos/deveres do trabalhador e a alta qualidade e preço justo dos seus produtos/serviços.

Em cada grande cidade organizavam-se guildas dos mais diversos ofícios: padeiros, sapateiros, tecelões, ferreiros, curtidores, mercadores, cervejeiros, açougueiros, escreventes, carroceiros e tantos outros. Ser membro de uma guilda significava estar em contato com outros artesões, gozar de proteção contra produtos estrangeiros, receber amparo de saúde e financeiro, direito a frequentar as festas internas etc, mas também implicava em seguir padrões de qualidade, preços e horários estipulados, ajudar outros membros quando em necessidade e ter uma vida honesta e exemplar. Os aprendizes tinham que mostrar respeito pelos mestres e estes pelos seus pares. Por seu caráter regulador e vistoriador, as guildas protegiam assim os clientes que podiam confiar nos bens produzidos por seus membros.

No geral, uma pessoa entrava para a guilda ainda jovem, como aprendiz. Esta recebia conhecimento em troca não de dinheiro, mas do seu trabalho. Uma vez concluída sua faze de aprendizado, ela se colocaria a prova e, caso passasse no teste, receberia o status de artesão e poderia se tornar um trabalhador assalariado de algum mestre ou eventualmente tentar montar sua própria oficina.

Contamos tudo isso para justificar nossa escolha para o nome do grupo. Tentando seguir esses valores medievais, a Guilda dos Armoreiros busca formar e reunir armoreiros habilidosos, ser um núcleo de pesquisa e construção em armadura (extendendo para armas e assuntos de guerra medievais), prover comunicação interna e externa e dar aos seus membros suporte e acesso a técnicas e ferramentas; ao mesmo tempo que objetiva estabelecer um alto grau de qualidade e fidelidade de seus produtos e garantir a satisfação dos clientes.

Estrutura

Como nas guildas da Idade Média, contamos com uma estrutura hierárquica de filiação. Indo da base para o topo temos:

  • Aprendiz - São os novatos que, embora não precisem ter conhecimento do assunto, mostram grande paixão e ambicionam se tornar bons artesões. Aprendem as técnicas enquanto participam dos projetos, sob constante supervisão. Não precisam pagar nada além do próprio trabalho e mostrar comprometimento. Só aceitamos aprendizes após uma entrevista pessoal.
  • Artesão - Tendo recebido o treinamento básico nos diversos tipos de armadura, o aprendiz pode galgar o nível de artesão. Passa a ser um trabalhador remunerado enquando vai aperfeiçoando suas técnicas, sempre com suporte dos mestres.
  • Mestre Artesão - O mestre é aquele que tem autonomia completa em projetos e desmascarou uma ou mais técnicas ao ponto de dominar livremente sua criação. Embora costumem, assim, se especializar, devem mostrar perícia nas diversas artes, técnicas e processos de todo os tipos de armadura.
  • Mestre Artífice - Sempre em número de três, formam o corpo gestor e administrador da Guilda. São os responsáveis em último grau por toda a estrutura, e devem tomar as decisões de máxima ordem. O cargo é vitalício e cada mestre artífice escolhe seu sucessor. O sistema é, portanto, um triumvirato auto-perpétuo.

Membros

Mestres Artífices

  • Roberto Spinelli Filho (aka Millor Levi) - Co-fundador da Guilda, é físico formado pela USP, técnico em eletrônica formado pelo SENAI Anchieta e atualmente faz pós-graduação em História sobre a Guerra dos 100 Anos. Dedica bastante tempo à pesquisa e atividades acadêmicas. Em armaduras, suas especialidades são malhas (incluindo rebitadas), cotas de placas, couro endurecido e lamelar. Também se especializou nas etapas de projeto por conta de sua formação em física. Foi aluno do mestre Alberto Canale na fabricação de arcos e flechas e do mestre Marcelo Ferrara em esgrima clássica.
  • Sergio Marquart Roma (aka Erik Ðikola) - Co-fundador da Guilda, é artista plástico formado pela Faculdade de Belas Artes, desenhista e animador profissional. Suas especialidades são malhas, modelagem de placas e forja de lâminas. Mostra grande habilidade nas técnicas de aplicar relevos em chapas e em todos os processos de elevada destreza manual que só sua veia artística propicia. Foi aluno de cutelaria do mestre Peter Hammer.
  • Tarcísio Lakatos Polito - O mais novo mestre artífice, entrou no lugar do atualmente afastado Iraê Lambert. Tarcísio fazia graduação em Geologia na USP mas se rendeu às suas ambições vikings e mudou-se para a História, onde cursa atualmente. Faz pesquisas sobre os povos escandinávos e é grande conhecedor dos assuntos militares medievais. Tornou-se mestre artesão recentemente e ainda não teve muito tempo para se especializar, entretanto, já mostra afinidades em cutelaria e acabamentos. Demonstra muita aplicação e comprometimento, não sendo à toa que foi o aprendiz que mais rapidamente alcançou o posto de mestre - dois anos e meio.

Mestres Artesãos

  • Iraê Lambert de Carvalho (aka Thelus McNeely) - Embora atualmente afastado, Iraê é membro de louvor por tudo que já realizou. Co-fundador da Guilda, se dedicou com ímpeto durante os primeiros e mais conturbados anos do grupo, sendo pioneiro em vários projetos. Formado em design multimídia, pôde contribuir bastante no desenvolvimento do site. Suas especialidades são malhas e couro. Esperamos que um dia volte a ser um membro ativo.

Artesãos

  • Rodrigo Biffi - Professor de física e ourives, Biffi mostra grande habilidade nos detalhes. Além das armaduras, desenvolve outras atividades medievais como a produção de hidromel.
  • Romulo Mallet Rocco Errico - Cineasta formado pela Faap e diretor de fotografia de destaque, Romulo é outro membro que merece louvor. Está junto do grupo desde o início fazendo contribuições de grande importancia, desde o trabalho pesado até na concepção de idéias, dando apoio e mostrando iniciativa. Também auxilia nas produções de foto e vídeo.
  • Vinícius Cerruci - Formado em Publicidade e Propaganda na Casper Líbero e Design Gráfico no Abra, é uma pessoa bastante dedicada e que colaborou muito durante o ano em que esteve ativo, mas infelizmente se encontra afastado. Designer 3D, ainda faz importantes contribuições nas animações geradas para o site.

Aprendizes

Estamos sem aprendizes no momento. Caso tenha interesse em se tornar um, entre em contato.

Colaboradores

Estes(as) distintos(as) senhores(as) não são exatamente membros mas já nos ajudaram ou vêm ajudando muito de diversas formas, e devemos aqui postar nossos sinceros agradecimentos.

  • Anna Allegrucci
  • Aratan Lambert de Carvalho
  • Daniel Gerencser
  • Maria Pia Infantozzi
  • Maria Silvia Braga
  • Sergio Uberti

Histórico

A aventura começa em 1998 quando Sergio, Iraê, Roberto e Romulo começam a formar um novo segmento da SCA no Brasil, uma sociedade para vivenciar práticas medievais tais como culinária, música, torneios, etc. Embora recebessem suporte por email e através de livros, realizar esta tarefa se mostrou um enorme desafio, a começar pela questão do dinheiro, sempre ele. Para arrecadar fundos enquanto desenvolviam atividades medievais, resolveram tentar fazer armaduras de malha usando de base o material da sociedade. Acontece que a sociedade no Brasil acabou não se desenvolvendo e o distrito de Silvarium se transformou num grupo de entusiasta que fazia suas pesquisas e atividades de forma livre. Entretanto, Sergio, Iraê e Roberto descobriram nas armaduras - aquilo que começou como uma brincadeira - uma grande paixão. Já em 1999 estabeleceriam as bases da Guilda, cunhando seu nome e brasão. Em 2000 já haviam feito uma coleção de peças de malha e começavam a realizar os primeiros testes em couro e placas, enquanto investiam pesado em ferramentas e maquinário.

Durante os cinco anos seguintes a Guilda se desenvolveu bastante, mas sempre como um hobbie, uma paixão. Os trabalhos eram tocados nas horas livres, disputanto espaço com emprego, estudo, esportes, etc. Alguns membros se separaram outros vieram e, apesar das dificuldades, tudo era muito divertido e sempre compensava no final. Até que em 2005 o grupo passou por um momento crítico: as atribulações da vida eram tão grandes que manter um hobbie trabalhoso como este se tornou insustentável - ou abriam mão da Guilda, ou abriam mão de seus empregos. Apesar do absurdo, arriscaram a segunda opção e passaram a levar a pesquisa e reprodução de armaduras como sustento. Não é preciso mencionar as dificuldades em se ganhar dinheiro com isso no Brasil, mas felizmente os trabalhos e projetos foram aparecendo e o grupo continua vivo e se desenvolvendo.

Guilda dos Armoreiros - contato @ guildadosarmoreiros.com.br - +55 (11) 9254-1085 (Roberto) - São Paulo / SP - Brasil