Com a explosão demográfica e cultural da sociedade européia medieval nos séc. XI e XII, novas estruturas sociais e econômicas se fizeram necessárias e o mundo medieval sofreria transformações profundas ao adentrar à chamada baixa idade média. As guildas surgem neste contexto e se estabelecem como corporações de ofício, ou seja, uma espécie de coperativa ou sindicato de trabalhadores que compartilhavam do mesmo ofício e apresentava funções diversas com o objetivo de assegurar os direitos/deveres do trabalhador e a alta qualidade e preço justo dos seus produtos/serviços.
Em cada grande cidade organizavam-se guildas dos mais diversos ofícios: padeiros, sapateiros, tecelões, ferreiros, curtidores, mercadores, cervejeiros, açougueiros, escreventes, carroceiros e tantos outros. Ser membro de uma guilda significava estar em contato com outros artesões, gozar de proteção contra produtos estrangeiros, receber amparo de saúde e financeiro, direito a frequentar as festas internas etc, mas também implicava em seguir padrões de qualidade, preços e horários estipulados, ajudar outros membros quando em necessidade e ter uma vida honesta e exemplar. Os aprendizes tinham que mostrar respeito pelos mestres e estes pelos seus pares. Por seu caráter regulador e vistoriador, as guildas protegiam assim os clientes que podiam confiar nos bens produzidos por seus membros.
No geral, uma pessoa entrava para a guilda ainda jovem, como aprendiz. Esta recebia conhecimento em troca não de dinheiro, mas do seu trabalho. Uma vez concluída sua faze de aprendizado, ela se colocaria a prova e, caso passasse no teste, receberia o status de artesão e poderia se tornar um trabalhador assalariado de algum mestre ou eventualmente tentar montar sua própria oficina.
Contamos tudo isso para justificar nossa escolha para o nome do grupo. Tentando seguir esses valores medievais, a Guilda dos Armoreiros busca formar e reunir armoreiros habilidosos, ser um núcleo de pesquisa e construção em armadura (extendendo para armas e assuntos de guerra medievais), prover comunicação interna e externa e dar aos seus membros suporte e acesso a técnicas e ferramentas; ao mesmo tempo que objetiva estabelecer um alto grau de qualidade e fidelidade de seus produtos e garantir a satisfação dos clientes.
Como nas guildas da Idade Média, contamos com uma estrutura hierárquica de filiação. Indo da base para o topo temos:
Mestres Artífices
Mestres Artesãos
Artesãos
Aprendizes
Estamos sem aprendizes no momento. Caso tenha interesse em se tornar um, entre em contato.
Colaboradores
Estes(as) distintos(as) senhores(as) não são exatamente membros mas já nos ajudaram ou vêm ajudando muito de diversas formas, e devemos aqui postar nossos sinceros agradecimentos.
A aventura começa em 1998 quando Sergio, Iraê, Roberto e Romulo começam a formar um novo segmento da SCA no Brasil, uma sociedade para vivenciar práticas medievais tais como culinária, música, torneios, etc. Embora recebessem suporte por email e através de livros, realizar esta tarefa se mostrou um enorme desafio, a começar pela questão do dinheiro, sempre ele. Para arrecadar fundos enquanto desenvolviam atividades medievais, resolveram tentar fazer armaduras de malha usando de base o material da sociedade. Acontece que a sociedade no Brasil acabou não se desenvolvendo e o distrito de Silvarium se transformou num grupo de entusiasta que fazia suas pesquisas e atividades de forma livre. Entretanto, Sergio, Iraê e Roberto descobriram nas armaduras - aquilo que começou como uma brincadeira - uma grande paixão. Já em 1999 estabeleceriam as bases da Guilda, cunhando seu nome e brasão. Em 2000 já haviam feito uma coleção de peças de malha e começavam a realizar os primeiros testes em couro e placas, enquanto investiam pesado em ferramentas e maquinário.
Durante os cinco anos seguintes a Guilda se desenvolveu bastante, mas sempre como um hobbie, uma paixão. Os trabalhos eram tocados nas horas livres, disputanto espaço com emprego, estudo, esportes, etc. Alguns membros se separaram outros vieram e, apesar das dificuldades, tudo era muito divertido e sempre compensava no final. Até que em 2005 o grupo passou por um momento crítico: as atribulações da vida eram tão grandes que manter um hobbie trabalhoso como este se tornou insustentável - ou abriam mão da Guilda, ou abriam mão de seus empregos. Apesar do absurdo, arriscaram a segunda opção e passaram a levar a pesquisa e reprodução de armaduras como sustento. Não é preciso mencionar as dificuldades em se ganhar dinheiro com isso no Brasil, mas felizmente os trabalhos e projetos foram aparecendo e o grupo continua vivo e se desenvolvendo.
Guilda dos Armoreiros - contato @ guildadosarmoreiros.com.br - +55 (11) 9143-5743 (Sergio) - São Paulo / SP - Brasil