Exemplo de Armadura de Placas

Armaduras de Placas

As armaduras de placas são, na verdade, um termo geral para uma enorme família de armaduras. Qualquer peça que possa ser descrita principalmente como uma ou mais placas de metal sem qualquer tipo de cobertura ou forro para uni-las pode entrar nesta família. Pelo fato do metal estar exposto e reluzir a luz do sol, o termo armaduras brancas é igualmente usado para denominá-las.

À exceção dos elmos, que são usados desde muito antes, as armaduras de placas começaram a aparecer, embora muito raramente , no séc. XIII na forma de cotoveleiras, joelheiras e talvez semi-grevas. No séc. XIV se desenvolvem as proteções de placas para os membros, cobrindo braços, pernas e pés completamente. Mas somente o séc. XV pôde contemplar a definitiva figura do cavaleiro em armadura reluzente.

Abordar todas as formas e variações, bem como o desenvolvimento e histórico das armaduras brancas é um trabalho muito extenso e não cabe, por hora, neste breve texto. Apresentamos, assim, uma lista das principais peças que compõem uma armadura de placas do final da Idade Média, que está longe de ser completa.

Ilustrao: Sergio Roma

Elmo

A proteção da cabeça se dava por meio de um elmo, que podia ser tanto aberto quanto fechado. Durante toda a Idade Média uma enorme variedade de elmos surgiu e um bom número destes caiu em desuso. Um dos que mais obteve sucesso neste processo foi o bacinete — mostrado na imagem — que começou no séc. XII como um elmo de topo arredondado, passando pelo cervelière no séc. XIII e ganhando sua forma mais conhecida no séc. XIV, antes de receber melhorias no XV. Geralmente era acompanhado de um camal e uma viseira, que podia ser móvel ou fixa.

Ilustrao: Sergio Roma

Couraça

A couraça é a armadura de placas que protege o torso do homem-de-armas. Embora desde a segunda metade do séc. XIV já podemos encontrar um peitoral sob uma cobertura de pano ou couro, é somente no início do séc. XV que esta proteção toma o seus moldes característicos.

Geralmente é composta de um peitoral e um dorsal (placas sobre o peito e costas) e uma escarcela (lamelas que cobrem o abdome). Outras placas (chamadas tasset) poderiam ser presas na extremidade da escarcela para uma maior proteção das coxas.

Ilustrao: Sergio Roma

Grevas

São a armadura que protege a parte inferior da perna — do joelho ao tornozelo. No início, possivelmente séc. XIII, as semi-grevas eram apenas uma placa que cobria a canela, presa atrás por tiras de couro e fivelas. No fim do séc. XIV uma outra placa é adicionada protegendo a panturrilha, e temos então as grevas totalmente desenvolvidas.

Ilustrao: Sergio Roma

Manoplas

Até o séc. XIV as manoplas eram luvas de malha, geralmente com duas divisões: uma para o polegar e outra para os dedos restantes, mas durante a primeira parte do séc. XIV ocorrem melhorias, quando pequenas placas de metal são afixadas sobre uma luva de couro, e os povos medievais dedicam este século para testar todas as diversas maneiras de se fazer isso. A partir de 1350 surgem as manoplas ampulhetas (mostrada na imagem) que parecem ser bem recebidas e se estabelecem como tipo padrão. Entretanto, o séc. XV ainda veria outros avanços, como as placas dos dedos totalmente articuladas sem mais a necessidade de um fundo de couro para segurá-las.

Ilustrao: Sergio Roma

Espaldar

Detalhe de um espaldar

O espaldar é a armadura que cobre os ombros. Sua origem está ainda nos gibões de placas do séc. XIV, quando pequenas placas de metal eram presas na parte superior do gibão. Evoluiu para um grupo de lamelas articuladas encimadas por uma placa semi-esférica (ilustração), e no séc. XV receberia mais placas para a proteção da escápula (foto). Para diferenciar as duas versões, a primeira — menor — recebe o nome de espaldarete enquanto que a segunda, completa, se chama propriamente espaldar.

Ilustrao: Sergio Roma

Braços

A armadura para os braços é, na verdade, um conjunto de peças que evoluíram separadamente e já no início do séc. XV estavam acopladas por meio de lamelas articuladas com rebites.

A primeira peça a aparecer, em meados do séc. XIII, é a cotoveleira, que no início tratava-se de uma única placa cônica presa por tiras diretamente sobre a manga do hauberk. Por volta do começo do séc. XIV aparecem os canhões (placas tubulares) do braço e do antebraço que, neste período, são no formato de calha e protegem apenas a parte externa do membro. Durante este século, tanto o canhão do braço — ou braçal — quanto o canhão do antebraço — ou antebraçal — ganham uma placa adicional de modo a envolver completamente o membro.

Em cerca de 1350, as cotoveleiras ganham a asa: uma placa no formato de leque que servia para deflectir golpes que acertariam a parte interna do cotovelo. Conforme o séc. XIV vai terminando, todas essas peças vão se unindo para uma proteção completa do braço.

Ilustrao: Sergio Roma

Pernas

A armadura das pernas é muito parecida com a dos braços. Temos uma joelheira, que se desenvolveu desde o séc. XIII e adquire asa por volta da metade do séc. XIV, e temos um coxote (placa que protege a coxa) que surge após 1350, primeiro como uma única placa, depois com uma adicional para proteger a parte posterior da coxa. Mais a diante, uma semi-greva curta seria suspendida da joelheira, por lamelas articuladas, e poderia ser presa na greva mais abaixo, para uma completa proteção das pernas.

Ilustrao: Sergio Roma

Escarpe

Escarpe é o nome que se dá ao sapato encouraçado. Desde o séc. XIII algumas peças de ferro foram colocadas sobre a malha para cobrir a parte superior do pé. Ao fim do séc. XIV, o progresso na armoraria permitiu a fabricação de escarpes envolvendo totalmente os pés, e logo no início do século seguinte já era comum ver os cavaleiros adicionando uma ponta longa e curva na frente do escarpe (imagem) para este não escapar do estribo no ato de cavalgar.

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